Oração da alma


Eu pensei que não doía mais, porém me enganei.

Pensei que estivesse bem, todavia isso foi uma ilusão.

Quero gritar bem alto, até ficar sem voz, mas o grito não sai — na verdade, nenhum som sai de meus lábios agora.

Não há cores em meus olhos, mas ainda existe o encanto.

Oro como Ana, que nada dizia; apenas seus lábios se moviam.

Derramo minha alma perante o Senhor, entretanto o céu continua silencioso, e nada parece mudar.

Mas ainda tenho esperança.


Quero companhia, mas também sinto a necessidade de ficar sozinha — como uma pequena ilha em um lugar distante.

Quero criar laços, mas também quero rompê-los.

Tudo está tão pesado agora. Não consigo raciocinar, nem ouvir a voz da razão; apenas ouço a dor e seus gritos confusos.

Até quando isso vai perdurar?

Algum dia estarei curada?

Algum dia minhas asas irão crescer novamente?

Sinto-me como um pequeno passarinho cujas asas lhe foram arrancadas.

E, mesmo a gaiola estando aberta e desejando alçar voo, não consigo.

Não importa o quanto eu tente, o quanto me esforce — minhas asas parecem incuráveis e meu casulo, indestrutível.


Até quando, Senhor, isso durará?

Bem sei que uma nova história Tu tens para mim… então, quando ela vai iniciar?

Eu aceitaria, de bom grado, um ponto final.

Poderia encerrar por aqui?

Mas, se bem te conheço, Tu não me deixarás desistir.

Como um oleiro habilidoso, vai me refazer de novo — só para eu voltar a sorrir.

E mesmo sem eu entender nada, falarás que tudo, para o bem, há de contribuir.

Que escolha eu tenho, senão esperar em Ti?

A quem tenho eu no céu, além de Ti?

O Senhor me conhece; meu coração é transparente diante de Ti, com todas as suas imperfeições.


Aquieta a minha alma. Faz meu coração ouvir Tua voz, pois eu ainda O louvarei.


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